ÁREA DA COSANPA FOI INVADIDA: E a população como fica?

ÁREA DA COSANPA FOI INVADIDA: E a população como fica?

Há mais de 15 dias um grupo de cidadãos invadiram um terreno da COSANPA (Companhia de Saneamento do Pará), em Óbidos, e esse evento nos chamou muita atenção devido a uma grande diversidade de fatores.

Há de se lembrar primeiramente que a COSANPA é uma instituição Pública Estadual que mantém um escritório local com parcos recursos e que é responsável pelo fornecimento de água encanada na cidade, porém, esse sistema de fornecimento de água é bastante antigo e tem apresentado aqui e ali, ao longo de décadas, uma série de deficiências, inclusive em sua principal função, o fornecimento de água.

Intencionalmente ou não tem sido notória a falta de investimentos no setor pelo Governo do Estado e este há bastante tempo tem feito certa campanha, não aberta, no intuito de executar a privatização da referida Companhia. Talvez desse plano resulte o abandono dos investimentos sobre esse produto essencial à vida. E com isso, percebemos que a área que foi invadida nem cerca possui, permitindo idas e vindas de pessoas em muitos sentidos.

Seguindo esse olhar, estivemos conversando com moradores do entorno do terreno e diante de diversos fatos ocorridos no local percebemos que existe um pensamento de alívio e outro de preocupação na mente de cidadãos mais atentos em relação ao acontecimento de interesse social.

O pensamento de alívio está relacionado ao fato de que agora com a invasão, derrubada da vegetação local e queimada, a comunidade local sente certa tranquilidade, pois ali caracterizava-se por constantes furtos e roubos a pessoas que transitam por lá. É que havia uma pequena estrada, conhecida como atalho, que interligava as Ruas Lauro Sodré, Osvaldo Matos e a Travessa Independência, conectando os bairros de São Francisco e Bela Vista. E era esse o local onde os meliantes atacavam as vítimas, causando medo, desconforto e preocupação para os moradores das proximidades.

Vejam alguns comentários: “...de vez em quando nós estávamos bem tranquilos e de repente vinha aqueles alunos da escola correndo, perguntamos o que foi e diziam que roubaram o celular da aluna”, “...era comum encontrarem roubo escondido no meio do mato, aí que estava o roubo da xerox aqui de perto”, “....já acharam sacas e sacas de malhadeira, escondida aí nesse mato”.

Outro ponto que os moradores se referem com alívio é o fato de que o terreno foi e é usado como depósito de lixo, em que até quando a prefeitura não estava pagando os garis, o povo contratava carroceiros para recolher o lixo das casas “...e esses carroceiros vinham jogar o lixo aí, era um grande fedor de coisa podre”, “mas, de vez em quando tacavam fogo pra aí, a gente já sofria com a fumaça”. “Pelo menos agora tá ficando limpo, não está tendo assalto e não estão jogando lixo”, “...na verdade agora estão queimando tudo aí dentro, só a fumaça que ainda atrapalha”, “...mas também acabou os carapanã”.

Por outro lado, algumas pessoas externam grande preocupação quando comentam sobre a situação da água do Engenho, no sentido de questionarem sobre as fossas e dejetos que irão atingir a água que abastece a cidade, pois é de lá que é coletada água que chega nas casas de muitos obidenses. E é esse um ponto de intranquilidade, uma vez que o referido igarapé é o principal fornecedor de água para atender a cidade através do sistema de Abastecimento da COSANPA, e nesse sentido, poderemos estar, em período curto de tempo, consumindo água contaminada. Isto porque o sistema de tratamento não é dos melhores. O sistema que seria o melhor para tratar a água está lá com muito investimento, porém nunca foi efetivado e temos assim um grande elefante branco que, sem funcionar, não serve nem para fazer campanha para candidatos em véspera de eleições.

Assim, nosso olhar reflete o entendimento que a invasão requer o cuidado necessário para lidar com a situação, o que não é simples, haja vista que muitas das pessoas que ocuparam o local não têm moradia. Porém é comum o comentário na comunidade de que algumas pessoas que invadiram teriam ou tem casa própria, que há um suposto comércio de lotes, onde oferecem por R$ 40,00 e até R$ 300,00.

Também, vale lembrar, que o poder público não pode se omitir de no mínimo acompanhar a problemática do lugar, uma vez que, mesmo que seja terra do Estado, o que está em questão é a saúde de muitos cidadãos obidenses. E é responsabilidade do gestor municipal cuidar da saúde e bem estar de todos os obidenses, o que é de qualquer forma prioritário. Claro que se deve considerar quem precisar de lugar para morar, mas, não se pode deixar uma enorme quantidade e cidadãos reféns e beber água contaminada.

Por outro lado, cabe ainda ao poder público fazer o ordenamento urbano, caso venha acontecer a distribuição dos lotes. Chega de criarem bairros eleitoreiros sem o mínimo de urbanização.

Outro ponto que merece muito destaque é o desmatamento às margens de um igarapé que não pode acontecer de nenhuma forma, e a SEMA deveria ser mais incisiva em relação ao assunto, não cabe apenas uma conversa, cabe atitude. Por isso, deixamos o espaço aberto neste site para possíveis esclarecimentos pelo responsável da instituição.

Por Márcio Rubens

FONTE: Fivelando

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