O Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais é nesta terça-feira (28), e marca o ponto alto da campanha Julho Amarelo, que busca conscientizar a população sobre a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das hepatites virais. Instituída no Brasil pela Lei nº 13.802/2019, a campanha alerta para doenças que podem evoluir de forma silenciosa e causar graves complicações ao fígado.
As hepatites virais provocam inflamação do fígado e são classificadas pelos vírus A, B, C, D e E. No Brasil, os tipos mais frequentes são A, B e C. Segundo especialistas, a maioria dos casos permanece sem sintomas por longos períodos, dificultando o diagnóstico precoce. Quando surgem, os sinais podem incluir pele e olhos amarelados, urina escura, fezes claras, dor abdominal e coceira.
Sem tratamento, as hepatites podem evoluir para formas crônicas, aumentando o risco de cirrose, câncer de fígado e até necessidade de transplante. A Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) destaca que o diagnóstico precoce reduz significativamente essas complicações.
Entre as principais medidas de prevenção estão a vacinação contra as hepatites A e B, o uso de preservativos, a não compartilhamento de objetos perfurocortantes, como agulhas, lâminas e alicates, além da realização de testes para detecção precoce. A recomendação é que toda pessoa faça pelo menos uma testagem para hepatites B e C, especialmente pessoas acima de 40 anos e integrantes de grupos de maior risco.
Durante a gestação, o diagnóstico precoce também é fundamental para evitar a transmissão da mãe para o bebê. Exames de sangue realizados no pré-natal permitem identificar precocemente as infecções e adotar medidas de proteção. Entre as hepatites que podem acometer gestantes, apenas a hepatite B possui vacina.
Dados do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde, mostram que o Brasil registrou 826.292 casos entre 2000 e 2024. A hepatite C respondeu por 41,5% das notificações, seguida pela hepatite B (36,6%) e hepatite A (21,2%). No mesmo período, foram registrados quase 50 mil óbitos relacionados às hepatites virais, sendo a hepatite C responsável por mais de 75% dessas mortes.
A SBH alerta que desafios como baixa cobertura vacinal, diagnóstico insuficiente, acesso limitado a exames e desigualdades regionais ainda dificultam o controle da doença no país. A meta do Ministério da Saúde é eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030.
FONTE: Agência Brasil