O BAR ANDRADE

O BAR ANDRADE

Dino Priante .

Fui inspirado, a escrever sobre O Bar Andrade, numa dessas manhãs (5 horas), caminhando com um amigo ao redor do Museu Emilio Goeldi, que era contador de uma grande firma obidense, e vez por outra tinha que ir a Óbidos. Ele contava para outros amigos nossos que: Na cidade do Dino, havia um Bar, que nem aqui em Belém tinha, rodeado de espelhos, com uma exposição de vinhos nacionais e estrangeiros, que dava um visual todo peculiar, e era onde também tomava uma cerveja bastante gelada.

Todos nós obidenses, pelos menos os que residiram em Óbidos nos anos cinquenta, sessenta e setenta, conheceram bastante esse Bar que era de propriedade do senhor Zezinho Andrade, localizado para variar, na Bacuri com a travessa Eloy Simões do antigo Cine Trianon depois Naomi.

 As águas pluviais que caem sobre o telhado desse prédio, as vazões da calha são feitas, através de umas biqueiras, cujo formato é de uma boca de jacaré, isso me causava certa admiração quando criança passava sempre olhando para cima, admirando aquelas peças que compõe a arquitetura do prédio.

Pois bem, eu desde garoto já freqüentava esse bar, papai nos levava para tomar sorvetes, as opções eram: Peroba (maracujá), Abacate, Coco, Tamarino, Uxi, e frutas de época como cupuaçu, açaí, abacaxi, minha opção quando não tinha cupuaçu era de peroba, quando nos serviam a mesa, vinha sempre acompanhado de um copo com água bem gelada. Também me impressionava, aquela parte interna, toda espelhada,com aquela exposição de vinhos, tanto nacionais como estrangeiros, bem arrumados nas paredes, era um bar de cidade grande.

Um dos fatos que ficaram em minha mente, foi no dia do batizado do Juarez Souza, filho do Sr.Pedro Noalsco, papai era seu padrinho, no retorno de seu batismo da Igreja de Santa’Ana, foi no Bar Andrade a comemoração. Serviram-nos sorvetes, refrigerantes para as crianças e mulheres, papai com Sr. Pedro tomaram cervejas, tudo muito simples e informal.

O Bar Andrade era referência em Óbidos, bastante freqüentado pela juventude da época, principalmente para jogar sinuca (o jogador não poderia estar usando sandálias), e tomar uma cerveja bem gelada, que naquela época, predominava a antarctica.

Tinham seus freqüentadores assíduos, como Sr. Hermógenes Costa (Curica), Dr. Armando Cunha, Mario Rêgo, Ernesto Imbelloni, Sr.Merabeth (gerente BB), Carrapateiro, esse era funcionário do BB e a elite obidense. Antes e depois dos clássicos Paraense e Mariano, era lá que a moçada se reunia para bebericar e bater os papos molhados.

Pela parte noturna poderia se ouvir uma boa música, o bar mantinha um serviço de alto falante, sempre atualizado com as últimas músicas de sucesso no país.

O Bar Andrade era o ponto de encontro e referência para as “noitadas” obidenses, os jovens ficavam na esquina, conversando e lançando suas paqueras para as belas jovens obidenses, que subiam ou desciam a Bacuri, indo ou vindo da Missa, na Catedral de Santa’ Ana ou das voltas na praça.

Todo o visitante de Óbidos, tinha que ir ao Bar Andrade, levado por um obidense ou espontaneamente, tínhamos orgulho desse estabelecimento, tão bem cuidado pela família Andrade.

O faturamento do bar aumentava quando estava no porto algum navio de turismo ou mesmo os tripulantes dos Loides, que faziam o embarque de nossos produtos de exportação, que naquela época com a produção da juta havia uma grande movimentação portuária.

Outro produto muito importante que o Bar Andrade comercializava, era o gelo em sua pequena fábrica, nós por exemplo, não tínhamos geladeira em casa, assim como a maioria da população, a energia elétrica era um dia sim outro não, das 18 às 22 horas, as geladeiras que havia  eram a querosene, esse combustível, vinha uma vez por mês, trazido de Manaus pelo Sr. Marrecão. Aos domingos costumávamos tomar um espumante, para acompanhar nossa tradicional macarronada, lá ia eu comprar o gelo, descendo a bacuri a toda velocidade, para que chegasse em casa com o gelo o menos derretido possível. Colocávamos a garrafa em um recipiente com gelo, tomávamos a uma temperatura razoável. 

Portanto o Bar Andrade, marcou época em nossa querida cidade, não havia no Estado do Pará um estabelecimento nesse ramo, tão bem cuidado e bonito.

Com o falecimento de seu proprietário, a família manteve por alguns anos, mas infelizmente, fecharam as portas, como todo grande estabelecimento, ficou só na lembrança, esse que foi uma referência por décadas na cidade de Óbidos.

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