Óbidos e as enchentes de 1953, 2009 e 2012

Óbidos e as enchentes de 1953, 2009 e 2012

João Canto*. 

As três maiores enchentes do Rio Amazonas, segundo a Agência Nacional das Aguas – ANA, que monitora o nível das águas da Bacia Amazônica desde 1902, foram a de 1953, 2009 e atualmente a de 2012. Esta que estamos vivenciando, acompanhando e informando as dificuldades que os ribeirinhos estão vivendo, poderá se transformar na maior enchente dos últimos 110 anos.

Para se ter uma ideia dessas três maiores enchentes do século, recorremos a algumas imagens que mostram Óbidos nesses três períodos.

1953

Os mais antigos, que vivenciaram a enchente de 1953, dizem que na época foi pouco divulgada, diferentemente da época atual, amplamente divulgada pela internet, mas que ainda recordam “da grande enchente de 53”, em Óbidos. Os desavisados ribeirinhos, moradores da várzea, tiveram grandes prejuízos e conversando com as pessoas que presenciaram essa enchente, falam das grandes dificuldades.

Célio Simões, referindo-se a enchente de 1953, em seu texto “O Drama da Cheia”, comenta: “Já bastava a lembrança da descomunal cheia de 1953, que de uma chuvinha besta virou um toró de mais de um mês, inundou os tesos, devastou os rebanhos e fez caboclo virar pedinte na cidade.”

Dona Eliana Albuquerque, que vivenciou a enchente de 1953 no Lago Grande, comentou que as dificuldades eram enormes, principalmente porque naquela época, não receberam ajuda nenhuma do poder público, tinham que se virar sozinhos, com ajuda dos vizinhos. Não muito diferente dos dias atuais, tiveram que levantar o assoalho de suas casas, fazer maromba para o gado e sustentá-los. O capim era rebocado em touças, puxados por um “Bolinete”, uma espécie de carretilha para puxar a corda, que tinha na ponta um grande gancho, para engatar no capim. Esse capim era o que alimentava o gado durante a enchente. Mesmo assim, houve muito prejuízo. “Era muito difícil, só Deus ajudou a gente”, comentou D. Eliana.

As fotos mostram o Porto de Óbidos em 1953.

2009

Em 2009, ocorreu a grande enchente. Esta enchente, que atingiu, em Óbidos, o nível de 8,60 m, afetou diretamente os moradores das várzeas e da cidade. As águas do rio Amazonas invadiram as casas dos ribeirinhos fazendo com que muitos migrassem para a cidade ou para as terras-firmes. Muitos, resistiram, permaneceram em suas residências, construindo novos assoalhos (conhecido como maromba), apesar de toda dificuldade.

Na cidade de Óbidos, muitas pontes e marombas foram construídas para que a população pudesse circular pelas ruas que margeiam o Rio Amazonas.

As imagens mostram a frete da cidade de Óbidos e as ruas mais afetadas pela enchente.

2012

A enchente de 2012, nesta quinta-feira, dia 17 de maio, atingiu a marca de 8,42m, segundo a dados da ANA, se igualando a marca de 2009 na mesma época. Portanto já se transformou numa das maiores enchentes do século. Apesar do estado de emergência decretado pela Prefeitura de Óbidos e homologado pelo Governo Federal, a ajuda ainda é muito tímida, principalmente para o povo do interior, que mais necessitam. Muitas famílias continuam sem receber qualquer apoio do poder público.

As imagens mostram a Cidade de Óbidos na enchente de 2012.

Apesar de vivenciar todos os anos as cheias e as vazantes, o caboclo ribeirinho é um povo forte, porque é detentor de saberes tradicionais, o que proporciona a compreensão da dinâmica dos fenômenos ocorridos na Amazônia ou das mudanças climáticas que afetam a região, portanto sempre resistiram e resistirão a mais esta enchente, que com certeza não será a última.

Se recebessem ajuda adequada do poder público na época certa, mesmo que não resolvesse o problema, porque é um fenômeno de ordem natural, mas com certeza amenizaria a dificuldade desse povo.

*Matéria originalmente publicada em 18 de maio de 2012.

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Fotos (1953) cedidas por Edilamar Aquino; Foto (2009) de Odirlei Santos e João Canto e Fotos (2012) de Vander N Andrade

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