PAINEL 01: Forte Pauxis: origem da cidade de Óbidos

PAINEL 01: Forte Pauxis: origem da cidade de Óbidos

A conquista da Amazônia pela Coroa Portuguesa, no período colonial, século XVII, foi firmada através de uma política de defesa e garantia de ocupação desse território, uma vez que o Império Lusitano estava ameaçado de perder o domínio desta região, já que povos estrangeiros, como ingleses, holandeses e franceses, dentre outros, tinham estabelecido bases comerciais nesses territórios nas últimas décadas do século XVI. Dentro dessa   política de defesa e garantia, surgiu o “Forte Pauxis”, atualmente conhecido como “Forte de Óbidos”, um dos primeiros estabelecidos pelos portugueses na região amazônica.

Sobre uma grande ribanceira, à margem esquerda do Rio Amazonas, foi assentada a fortificação – “Forte Pauxis” – no ano de 1697, em uma ação que retratava a política portuguesa no século XVII. O local para a construção da fortaleza foi escolhido estrategicamente, devido a fronteira do Rio Amazonas e a significativa estreiteza pelo lado esquerdo desse rio.

A construção do Forte, se levarmos em consideração o padrão das construções, que foram executados pelos portugueses, no mesmo período, em outras regiões brasileiras, não primou pela qualidade. O material utilizado provavelmente, foi o existente no local: palha e barro, usando a técnica habitual das construções da época, a taipa-de-pilão, tendo como mão de obra os índios das tribos Pauxis, Baré, Kaxuyana, Mundurucus, Maués, Mepurkis, Arapiuns e outros que viviam na região, que foram peças fundamentais na construção desses projetos portugueses.

Embora a técnica e os materiais utilizados tenham sido rudimentares e de pouca durabilidade, um elemento foi importante: no Forte estava lançado o domínio lusitano sobre a região.

A missão religiosa dos Capuchos da Piedade estabeleceu-se em Óbidos, juntamente com a construção do Forte, em 1697, sendo responsável pela catequização dos índios, também dividindo com os militares, a incumbência da organização econômica da região, que garantiu, e, de alguma forma, justificou a posse da Amazônia Brasileira. O extrativismo vegetal e animal.

Inicialmente, o Forte Pauxis, funcionou apenas como ponto de defesa, passando depois, às funções de local de fiscalizações de mercadorias e descimentos feitos por religiosos e colonos, em data de que não temos previsão. De toda embarcação que passava, era cobrado um décimo,  renda que abastecia os cofres da Coroa Portuguesa.

Quando, em 1758, a antiga aldeia dos Pauxis, foi elevada à categoria de Vila, tomando o nome de Óbidos, o Forte, passou a levar também o mesmo nome. Tal mudança, foi determinada pela Coroa Portuguesa, que obrigava que o nome de Vilas e ruas fossem idênticas as de Portugal, para substituir ou impedir o uso de nomes indígenas. Também na mesma oportunidade, o Estado Português, criou o Diretório – organismo de administração das Vilas, na pessoa de um diretor, funcionário do Estado, nomeado pelo Capitão General. O Diretório veio substituir a ação das missões religiosas nas relações com as populações indígenas, onde comandavam descimentos, organizavam a produção local e dirigiam serviços de interesse coletivo.

Marcos Pereira de Sales, Major, que trabalhava na “Restauração material das duas Províncias Amazônicas” (Pará e Amazonas), elaborou projeto para uma nova fortaleza, apresentando-o, ao governo imperial, em 1854, visto que a eficiência da antiga fortaleza, enquanto instrumento de defesa e repressão, foi questionada, em virtude de sua estrutura física se encontrar débil. A nova Fortaleza, segundo o Major Marcos Pereira, deveria ser erigida no mesmo local da antiga, devido a importância estratégica do local.

A construção do novo forte, foi iniciada, no ano de 1854, sendo toda feita de pedra com a forma que se mantém hoje. O Forte, tornou-se então, o marco histórico do domínio português na Amazônia e símbolo maior para a região e da superação desse domínio.

Apesar das falhas em seu objetivo, a fortaleza foi fundamental em toda a evolução do município. Ela reuniu em seu redor, grandes prédios e um grande fluxo de pessoas, embarcações, navios, regatões, armazéns comerciais, sempre as margens do rio. Tal como ainda se observa hoje, na rua Siqueira Campos. Este panorama é um retrato da formação urbana em Óbidos, iniciada com a formação do Forte.

A tridimensionalidade representativa do Forte de Óbidos, no que tange a arquitetura, a urbanística e a história, requer o reconhecimento da comunidade Obidense, para a sua permanência e conservação, visto ser marco irradiador da expressão da cidade.

Fonte: Museu Integrado e Óbidos

Fotos de João Canto, antes de iniciar a restauração.

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