Arapucu coloca saberes quilombolas do Pará no mapa mundial da Amazônia

Arapucu coloca saberes quilombolas do Pará no mapa mundial da Amazônia

Arapucu, território quilombola localizado em Óbidos, no oeste do Pará, passou a integrar oficialmente o “Atlas del Alimento Amazónico”, publicação internacional dedicada aos sistemas alimentares tradicionais da Pan-Amazônia. A comunidade é a única representante quilombola brasileira no projeto, lançado durante encontro regional realizado em Letícia, na Colômbia, com participantes de Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname.

A inclusão projeta práticas de cultivo, pesca, coleta, preparo de alimentos e manejo sustentável transmitidas por gerações. O Atlas relaciona alimentação, identidade cultural, território e conservação da floresta, colocando os conhecimentos do Arapucu em uma rede internacional de experiências amazônicas.

Produção, relação comunitária e alimentação

A participação paraense ocorreu por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) e do Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil). Davi Silva, representante do Arapucu, apresentou os modos de produção e a relação da comunidade com a alimentação e a floresta. O encontro também teve a presença de Maria Oliveira, do Território Extrativista São Raimundo, no Médio Juruá, Amazonas.

O território foi selecionado em 2025 devido à organização comunitária, à preservação dos saberes tradicionais e à integração entre cultura e conservação ambiental. Pesquisadores da Amazon Conservation Team permaneceram uma semana na comunidade, realizando entrevistas, oficinas, rodas de conversa, atividades participativas e registros fotográficos utilizados na elaboração do Atlas.

Gestão ambiental que respeita especificidades

“Ver a comunidade de Arapucu ser protagonista em um projeto internacional como o Atlas da Alimentação Amazônica mostra que estamos no caminho certo ao investir em uma gestão ambiental que respeita as especificidades culturais e territoriais dos povos da Amazônia”, afirmou o secretário adjunto da Semas, Rodolpho Bastos.

Visibilidade internacional

Divulgada nesta sexta-feira, 17 de julho de 2026, a participação amplia a visibilidade internacional do território e reforça a importância das comunidades tradicionais na soberania alimentar e na conservação da biodiversidade. A publicação resulta de cooperação apoiada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Fundo Global para o Meio Ambiente, Banco Mundial, Conservação Internacional e Fundação Getúlio Vargas.

POR: Luiz Flavio

FONTE: Diário do Pará

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar