A Serra da Escama e o segredo histórico de Óbidos

A Serra da Escama e o segredo histórico de Óbidos

“Do alto da serra fico a contemplar. A tua beleza, ô terra, diante desse rio mar”. Foi o que escreveu Noelson Ribeiro ao retratar aspectos do município de Óbidos, quando compôs a Música: “Bela Lusitana” que participou do XII festival de Música Obidense que se realizou no ano de 2015.

Mas o alto da Serra da Escama possui segredos que ao longe não dá para desvendá-los, não dá para ter ideia o que esconde a verde folhagem da capoeira recente que encobre o torrão que de longa distância avistamos navegando as águas barrentas do rio amazonas.

De longe é apenas uma montanha coberta de mata, que fica ao lado de um município chamado Óbidos, a meio caminho de Belém ou Manaus. Mas alto lá, essa terra tem história, essa história se confunde com a conquista da Amazônia e a defesa da região.

Quando Pedro Teixeira subiu esse rio e percebeu que bem aqui a terra fivela, que aperta, que sufoca a água que de tanto filar aprofunda, afunda e tira o ar.

É justo aqui onde é tão estreito que não bastavam as bocas de fogo do Forte, era preciso fogo mais forte, que sorte, a geografia nos propôs história, de um povo, um traço, um osso, o chupa osso.

E lá no alto da Serra os Canhões Armstrong, só quatro, estrategicamente posicionados, com movimento angular, singular, de alto e abaixo, tudo para que essa rua da Amazônia pudesse ser protegida, e seu povo de graça, de força, de expressão, que o tempo nos fez gente e nesta data, sob os contratempos, a festa, a raça, o fato nos fez subir aquela sinuosa trilha, estampando orgulhosos o símbolo São Francisco no peito, só para que a juventude que se renova pudesse ver e a experiência que sabe, de longa data que lá, no alto daquela Serra há muita história pra contar.

Subimos a Serra, fomos atrás da história in loco, levamos conosco a história de Óbidos disciplina e descemos com a história de Óbidos como lembrança de outro tempo, do tempo desenhado no século XX, mas muito presente por conta dos artefatos que a mata esconde e em silêncio mantém sob a sombra do verde, que os protegem ao mesmo tempo em que eles, os canhões, guardam a memória e a história do povo fivela.

Por Márcio Rubens

 

 

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