A Escola Estadual Professor Maurício Hamoy, em Óbidos, realizou nesta sexta-feira (14) a culminância do projeto “Escravo Nem Pensar! – Conscientizar para Transformar”, iniciativa voltada à conscientização e à prevenção do trabalho escravo contemporâneo. A programação reuniu estudantes, professores, servidores e convidados para um dia de reflexão, aprendizado e apresentação dos trabalhos desenvolvidos pelos alunos.
As atividades tiveram início por volta das 8h, com a formação da mesa de abertura, composta pelo diretor da escola, Daniel Bentes; pela vice-diretora Maria Gracilda Bernardo; pela professora Gessonita Siqueira, coordenadora do projeto; além de professores e servidores da instituição, que participaram diretamente do projeto.
Durante sua fala, o diretor Daniel Bentes deu as boas-vindas aos participantes e destacou a importância do projeto, chamando atenção para as formas, muitas vezes disfarçadas, pelas quais a exploração do trabalho ainda se manifesta na sociedade contemporânea.
A coordenadora do projeto, professora Gessonita Siqueira, apresentou os principais objetivos da iniciativa, ressaltando a importância de levar os estudantes a compreenderem as diferentes formas de exploração do trabalho e reconhecerem a informação como instrumento de prevenção e transformação social.
O professor João Neto, Coordenador e Técnico de referência do “Programa Escravo, Nem Pensar”, também participou da programação com uma explanação sobre diferentes formas de exploração do trabalho na atualidade. Entre os exemplos abordados esteve a chamada “uberização”, modelo em que trabalhadores prestam serviços mediados por plataformas digitais, geralmente sem vínculo formal, assumindo custos e riscos da atividade, enquanto as empresas utilizam sistemas algorítmicos para organizar e controlar a prestação dos serviços.
Trabalhos apresentados pelos estudantes
Durante a culminância, realizada no espaço da quadra da escola, os estudantes apresentaram diferentes trabalhos produzidos ao longo do projeto. As atividades abordaram aspectos históricos, sociais e contemporâneos relacionados à exploração do trabalho.
Entre os trabalhos apresentados esteve um painel expositivo sobre o trabalho escravo doméstico, orientado pela professora Jardelma de Souza. A proposta chamou atenção para situações de exploração que podem ocorrer no ambiente doméstico e que, muitas vezes, permanecem invisibilizadas.
Outro painel abordou o tema “Entre vozes e poder: o protagonismo no mundo global”, com uma reflexão sobre o papel social da mulher e as relações de poder no mundo do trabalho. A atividade foi orientada pelos professores José Dimance e Juscelena Vinhote.
Os estudantes também apresentaram um painel com exposição de charges, sob orientação da professora Josleth Lima, utilizando a linguagem visual para provocar reflexão sobre as relações de trabalho e as situações de exploração.
A desvalorização do trabalho feminino também foi tema de um dos painéis apresentados. Orientado pela professora L. Francimire Florenzano, o trabalho destacou questões relacionadas ao preconceito e à desigualdade no mercado de trabalho, tendo como mensagem a frase: “Preconceito não paga. Desigualdade, sim.”
A programação contou ainda com apresentação de slides sobre o ciclo do trabalho escravo contemporâneo, orientada pelo professor Kleberte Corrêa. O material abordou o funcionamento desse ciclo, além de informações sobre o que caracteriza o trabalho escravo e como realizar denúncias.
Para completar as atividades, os estudantes apresentaram a peça teatral “O Preço da Liberdade”, sob orientação de Flávia Sardinha, Danielly Queiroz e Moisés Melo. A apresentação utilizou a linguagem teatral para tratar das consequências da exploração e da importância da liberdade e da dignidade no trabalho.
Educação e cidadania
Após as falas iniciais, o público teve a oportunidade de visitar os trabalhos expostos e receber dos próprios estudantes explicações sobre as pesquisas e atividades desenvolvidas durante o projeto. Também foram realizadas apresentações e outras ações educativas ao longo do dia.
Com o tema “Conscientizar para Transformar”, o projeto buscou promover o debate sobre a prevenção ao trabalho escravo contemporâneo e fortalecer valores relacionados à educação, cidadania, dignidade e respeito aos direitos humanos.
A programação foi organizada em três horários: às 8h, pela manhã; às 14h, no período da tarde; e às 19h, à noite, permitindo a participação de diferentes grupos da comunidade escolar.
A iniciativa reforça o papel da escola na formação de cidadãos mais conscientes e preparados para identificar situações de exploração e contribuir para o enfrentamento das violações de direitos.
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