Vida e obra de Constantino Menezes de Barros

Vida e obra de Constantino Menezes de Barros

O artigo do Professor João Batista Nascimento, intitulado “Matemático que liga o Pará aos maiores centros do mundo e comparável aos grandes ícones da história da matemática”, fala sobre o obidense Constantino Menezes de Barros, entre os maiores ícones da Matemática brasileira.

Estamos publicando parte do artigo que fala da vida e obra do Matemático Constantino de Barros, que mostra uma pequena parte de sua vida, com depoimentos de seus parentes que ainda vivem em Óbidos. No final desta publicação você poderá ver o artigo na íntegra.

Uma pouco da vida e obra de Constantino Menezes de Barros

Constantino Menezes de Barros nasceu em 19/08/1931 na cidade de Óbidos-Pa, cidade situada à margem esquerda do Rio Amazonas [1] , sendo o quarto de uma prole de 14 filhos de Guilherme  Lopes de Barros e Elvira Menezes de Barros. Sendo o seu genitor de origem portguesa por parte de pai e santareno-Pa pela da mãe e sua genitora filha de sergipano com juritiense-Pa. Ou seja, Constantino é fruto de um caudal de brasilinidade e não apenas amazônico.

Já no primário nessa cidade apresentava uma facilidade invenjável de aprendizagem no geral, e loquaz em matemática, ao ponto servir de ajudante ao seu docente, Manoel Valente do Couto, popularmente conhecido por Professor Manduca. E o traço mais comum em quase todo grande matemático brasileiro, deparar-se com uma situação de ensino disto das mais duras, a maioria é da graduação em diante [55], Constantino enfrenta já no ginasial, quando aos 11 anos de idade, 1943, foi estudar em Belém-Pa, Colegio Nazaré, onde ficou até o equivalente ao atual Ensino Médio, 1949.

Quem revela isto é um depoimento de Francisco Grijalva Menezes de Barros, médico e irmão primogênito de Constantino.

“O Constantino era um aluno muito aplicado na escola, mas todo aplicado é relaxado... ele era relaxado, ia arrumar as coisas dele, os livros da mesa e ele não gostava...

Ele gostava de ter livros técnicos, não da literatura. Ele adorava discutir sobre matemática. Ele discutia com os professores no  Colégio Nazaré e dizia que  não estava certa a correção da prova e queria provar que estava certa a questão. Ele sobre a prova dele,  o professor dizia que estava errado e ele dizia que estava certo e provaria, mas eles não aceitavam e ficava naquilo mesmo ...

Ele era muito disciplinado e obediente, se relacionava bem com os colegas, mas tinha sempre os pontos de vistas dele ...

Gostava das coisas certas e corretas, sérias,... e sempre teve facilidade para matemática. Não foi ninguém que o motivou, era dele mesmo, ele gostava ...

Ele gostava de física e matemática, mas se dedicou mais para a matemática ...¨

E os condicionantes brasileiros do ensino em geral, e mais ainda de matemática, sem que se precise voltar um segundo no tempo, são claros e objetivos em demonstrar pouco espaço de sobrevivência para um tipo de personalidade desta, porquanto, a ruindade do ensino de matemátca no Brasil é histórica e hoje se pontua com fatos dantescos, e supor ter atingido o extremo é um laivo altamente esperançoso de melhoras. E não estamos mais só falando de escola básica.

Havia curso de engenharia em Belém nessa época e as condições financeiras da família não era para tanto, entretanto, Constantino tomou por decisão ir para o Rio de Janeiro cursar matemática, onde prestou vestibular e ingressou em 1952 na Faculdade Nacional de Filosofia. E agora vai se deparar e se confrontar com uma situação das mais desafiadoras. O fato de ser o embrião ainda das nossas atuais universidades públicas, o quadro atual nos diz que essa briga, para desgraça do Brasil, Constantino foi acachapantemente derrotado. Quem relata agora é Airton Menezes de Barros, irmão e formado em Direto:

¨Ele era muito lutador que chegou a ser presidente do Diretório Nacional dessa Faculdade (...) ele fazia campanhas grandes na entrada da Faculdade, de tal forma que ele pregava avisos do Diretório na entrada da Faculdade, dizendo quem eram os professores faltosos. Ele era de muita luta, ele era muito competente e não tinha medo dos professores, tirava boas notas, ele enfrentava os professores. ¨

Em outro trecho de depoimento de Francisco Grijalva Menezes de Barros, o que fará muitos dos atuais estudantes saberem que nada mudou, retrata do quadro que é fazer universidade pública quando não se tem uma boa base financeira:

¨Quando eu casei fui ao Rio, fomos conversar e ele me contou como lutou para chegar onde estava, me contou muitas coisas ... das noites frias do Rio de Janeiro, que usava  jornal com muitas páginas para fazer sapato e lençol, não tinha condições de comprar...¨

E fora ele ter interrompido por dois anos os seus estudos, graduando-se em 1957, quase nada tenho de como evolui esse seu envolvimento com o lado trágico do ensino superior no Brasil. Porquanto, vamos ao lado científico. Entre agosto e setembro de 1957, Constantino fez no IMPA o curso Métodos de Cartan em Mecânica Analítca com o já celebradíssimo matemático francês Georges Henri Reeb (12/11/1920 – 6/11/ 1993), [56], porquanto este estava em visita no Brasil. Para quem conhece um pouco deste matemático sabe que Reeb só se interessava por alguém de matemática se fosse de mediano para cima e o conceito dele disto pode, vou dizer deveria, fazer muitos hoje com doutorado em matemática corar de vergonha.

Uma vez Graduado, Constantino pleitea junto ao Conselho Nacional de Pequisa- CNPq uma bolsa para fazer doutorado no exterior, cuja idas e vindas disto ainda nada sei, fora ter sido longos e penosos sete anos, e que pela grata intervenções de Reeb esse pode ir para França em jan/64 fazer o seu doutorado na Universidade de Paris. O seu doutorado foi até jun/65, a sua bolsa era, no mínimo, até dez/66, e ainda com um feito singularíssimo, quiçá inédito na história dos doutorados na França: defendeu duas teses ao mesmo tempo e ainda recebeu a maior mensão honrosa: trés honorabel E o seu orientador foi o não menos famoso matemático francês Charles Ehresmann (1905-1979) e a genealogia matemática deste, Constantino foi o 18º aluno de doutorado, consta em [57-8]

Como prometi e aqui só para convencer os mais céticos, algumas informações curriculares e publicações de Constantino Menezes de Barros das que constam em [1] e apenas até sua tese:

ATIVIDADES PROFISSIONAIS

Professor Assistente de Ensino Superior, Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da UFF, 15/08/58 a 11/11/67

- Professor da Disciplina Autônoma do Instituto de Matemática da UFF, 12/11/67 a 12/02/70

- Professor Titular por Concurso da UFF, 12/02/70 a 12/08/75

- Professor Titular da UFRJ, por transferência, de 13/08/75 até o seu falecimento.

- Professor Titular Permanente da  Pós - Graduação da UFF (a título de cooperação e sem vínculo empregatício)

ATIVIDADES TÉCNICAS, ADMINISTRATIVAS E MISSÕES NO EXTERIOR.

Chefe de Pesquisa do CNPq, de 19/01/68 a 30/07/1978, anteriormente  com bolsa de:

- Especialização, de 19/3/58 a 29/02/7/75.

- Pesquisador Assistente, de 19/3/60 a 28/02/63.

- Pesquisador, de 19/3/63/ a 31/12/63.

- De Doutoramento na Universidade de Paris, de 19/01/64 a 31/6/65.

- De Pós Doutoramento na Universidade de Paris, de 19/07/65 a 03/6/65(7?)

- De Pesquisador Associado, na Universidade de Stanford, de 19/02/67 a 30/6/67.

- De Pesquisador Associado, no Instituto Henri Poincaré, de 19/07/67 a 31/12/67.

- Bolsa de Estágio de Pesquisa, da Capes, na Universidade de Paris VII, de 19/01/72 a  30/06/72.

- Bolsa de  Professor Convidado do Governo Francês, com estágio de pesquisa na   Universidade de Paris VII, de 15/12/73 a 15/03/74.

- Estágio no Instituto Henri Poincaré e   Universidade de Paris VII, patrocinado pelo Governo Francês, de 1/11/78 a 30/06/79.

- Pesquisador Titular I do IM da UFRJ, pela FINEP, de 13/08/75...

PUBLICAÇÕES

- Une propriété Caractherístique du Dual d’um Espace Vectorial, Soc. Paranaense de Matemática, Anuário V.2 (1959), 37-40,[MR 24#A1277 :R7Mat.(1962 IA176;Zb1 (1963) p.87]

- Sur l’Existence de  Fonctions Récurrents, Z. Math. Logik Grundlagen Math., . B8 (1962) , 117- 123  [  RZMat. (1963) 9A68; MR 27# 5683:Zb1 107 (1964, p.11)

- Espaces Infinitésimaux: Théorie Génerale, C.R. Acad. Sc.Paris, t. 258 (1964), 3624-3627.[ MR 28 # 5396 ; RZMat (1965) 11A433 ;Zb1 122 (1966) p.405]

-  Espaces Infinitésimaux: Algèbre de Lie Graduèe Associée à um Espace Infinitèsimal de Cartan,C.R.Acad. Sc. Paris, t. 258 (1964) 3956-59 [MR 29# 3993 :RZMat.(1965) 11A434 : Zb1 122 (1966) p. 406].

- Espaces Infinitésimaux: Dérivée Absolute,   C.R.Acad. Sc. Paris, t. 258 (1964), 5330-5333.[MR 29  3994 ; RZMat  (1965) 11A435 : Zb1 122 (1966) p.170 ]

- Varieétés hor-Symplectiques,  C.R. Acad. Sc. Paris, t. 259, (1964), 1291-1294.[ MR 30 #2240; RZMat (1966) 5A453:Zb1 132 (1967) p. 172 ]

-  Variétés pres que hor-Compléxes, C.R. Acad. Sc. Paris, t. 260, (1965),, 1543- 1546 [ MR 30 # 5241 ; RZMat (1966)  5A454 ; Zb1 191 (1970) p.202]

- Espaces Infinitésimaux (Thèse Sc. Math. Paris), Cahiers  Toplogie Géom. Différentielle, vol. 7 (1965), xi + 96 pp.[ MR 34#  728 ; Zb1 147 (1968) ,p.410]

POR NASCIMENTO, J.B.

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