Artigo de Jorge Ary Ferreira sobre a música e vídeo de Délio Aquino em homenagem ao Bloco Xupa Osso.
Por Jorge Ary Ferreira.
Há tempos costumo dizer que o obidense parece uma velha marreca: passa a vida buscando outros campos em voos longínquos. Curte o verão na Patagônia, mas, na hora de chocar, volta para o mondongo, volta às raízes, ao lugar onde aprendeu a sonhar.
O carinho que os filhos de Óbidos têm pela nossa cidade é algo que merece destaque. Nunca ouvi um obidense dizer que nossa terra é melhor que qualquer outra. Porém, também nunca vi um filho de Óbidos ouvir alguém denegrir a imagem da cidade sem reagir.
Temos um número enorme de conterrâneos que hoje vivem longe daqui. Pessoas nascidas em Óbidos, que criam seus filhos em outras cidades e, às vezes, mal conseguem voltar. Ainda assim, conseguem transmitir aos filhos — muitos deles nem sequer nascidos aqui — um carinho profundo pela nossa terra. E isso é marcante.
Basta ver a quantidade de ações criadas para reunir nossa gente, para exaltar a cidade, suas manifestações culturais, suas tradições e sua história.
Quantos e quantos obidenses distantes, que têm a vida engolida pela correria das grandes cidades, pelas dificuldades de viver numa metrópole, mas que, ao encostar a cabeça no travesseiro, voltam em pensamento para suas raízes… Para as sombras das mangueiras do São Raimundo. Para as paisagens belíssimas do Igarapé dos Lopes. Para os beijus saborosos do Fuzil, do Cipoal, do Repartimento. Para as farras da Cabeça do Padre.
Se eu fosse relacionar aqui o número de conterrâneos que transformam esse amor em homenagem — através das artes plásticas, da poesia, da música, da fotografia — seria uma lista imensa.
Hoje amanheci recebendo do meu querido amigo Delio, velho parceiro aqui da Linda, uma homenagem ao bloco Chupa Osso acompanhada de um pedido: para que nós não parássemos.
E daqui devolvo a ele o mesmo pedido: continue mandando essas pérolas que brotam do seu coração. Seja para o Chupa Osso, para o Morro, para o Águia, para qualquer entidade, para o São Raimundo sua comunidade, para o Paysandu do Vivico seu time do coração.
Continue.
Porque amanhecer escutando uma criação sua, uma música carregada de carinho, não é para qualquer um. É um luxo.
E aqui compartilhamos isso.
Valeu, Déllio Reis Matos De Aquino!
Vídeo produzido por Délio Aquino, com fotos de João Canto do site www.obidos.net.br
MÚSICA DE DÉLIO AQUINO
Do chão da praça à liberdade das ruas.
Délio Aquino
Hoje eu queria estar em Óbidos
Só pra ver meu XUPAOSSO,
Hoje eu não quero serviço
Só quero ver o alvoroço,
E sair do chão da praça onde
O destino pra rua se arruma
E quando o domingo me chama
Não sobra saudade nenhuma.
O som do metal explode
N’alma livre do folião
Quem é de Óbidos pode
Entregar o seu coração.
E a Rua Bacuri desce
Feito um rio de poesia,
A história ali se aquece
Na mais profunda euforia.
REFRÃO
É o XUPAOSSO, meu bem!
É o frevo que me seduz
Em Óbidos não tem pra ninguém
Sob essa luz que me traduz.
Com a voz do instrumento
a orquestra faz a ladeira tremer,
Frevo é sopro, é momento,
É o nosso jeito de ser.
No peito, o novo abadá
Traz o tema e a cor,
Os grandes Fobós passam a girar
Num delírio de esplendor.
E as cobras saíram do altar
Para acordar a multidão
Com liberdade e magia
No compasso dessa paixão.
REFRÃO
É o XUPAOSSO, meu bem!
É o frevo que me seduz
Em Óbidos não tem pra ninguém
Sob essa luz que me traduz.
E a Rua Bacuri desce
Feito um rio de poesia,
A história ali se aquece
Na mais profunda euforia.
Com a voz do instrumento
a orquestra faz a ladeira tremer,
Frevo é sopro, é momento,
É o nosso jeito de ser.
REFRÃO
É o XUPAOSSO, meu bem!
É o frevo que me seduz
Em Óbidos não tem pra ninguém
Sob essa luz que me traduz.
É o Xupaosso meu bem...
Sob essa luz que me traduz!