Localizado no tradicional Largo de Sant’Ana — também conhecido como Largo da Cadeia e atualmente denominado Praça Barão do Rio Branco ou Praça de Sant´Ana —, um dos imóveis residenciais mais emblemáticos de Óbidos guarda importantes registros da história educacional do município. Construído no final do século XIX, o prédio teve como primeiros moradores a família Bentes de Matos, figura de destaque na sociedade local da época.
Entre os vínculos familiares, destaca-se o casamento de uma das filhas de D. Francisco Bentes de Matos com o professor José Tostes, educador que atuou entre o final do século XIX e a primeira metade do século XX. Reconhecido por sua dedicação ao ensino, Tostes teve papel relevante na formação educacional de gerações de obidenses.
Em 1911, o professor colaborou com padres franciscanos na implantação da escola “São Francisco”, destinada à educação de meninos. Posteriormente, decidiu fundar sua própria instituição de ensino, o “Colégio Brasil”, inicialmente instalado na esquina da rua onde residia. No local, lecionou até 1922, quando transferiu a escola para um novo prédio na rua Alexandre Rodrigues de Souza, ampliando sua atuação pedagógica.
Ao lado da residência do professor, outra importante educadora também deixou sua marca na história local. A professora Maria Madalena Printes mantinha, em sua própria casa, a escola particular “Santa Maria”, instituição que contribuiu significativamente para a formação de diversas gerações em Óbidos.
No início do século XX, a cidade contava com uma rede significativa de escolas particulares, que surgiam como alternativa à limitada oferta de ensino público estadual e municipal. Essas instituições desempenhavam papel fundamental na educação local, adotando métodos pedagógicos semelhantes aos das escolas oficiais.
Entretanto, assim como em outras regiões do país, o modelo educacional da época ainda carregava traços da herança colonial, especialmente no que se refere às práticas disciplinares. O uso de punições físicas, como palmatórias e outros instrumentos, era comum entre educadores, tanto em escolas públicas quanto particulares, como forma de corrigir comportamentos considerados inadequados.
Atualmente, o imóvel pertenceu ao senhor Adenil Paixão Vieira (in memoriam) e à senhora Marlene Sarrazim Vieira, sendo hoje habitado por seus descendentes há mais de uma década. A edificação permanece como um marco histórico e simbólico, preservando a memória de um período em que a educação em Óbidos era construída com esforço, disciplina e dedicação de seus pioneiros.
www.obidos.net.br - Editado por João Canto - Fonte de pesquisa, Museu Integrado de Óbidos
*Originalmente publicado em 08/2019